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Tratamento com aGLP-1: constipação

Tratamento com aGLP-1: constipação

A constipação intestinal  é um dos principais efeitos adversos  que podem aparecer durante o uso de medicamentos análogos de GLP-1. Embora muitas vezes seja temporária e manejável, ela pode causar desconforto importante e impactar a qualidade de vida se não for tratada adequadamente.1,2

 

Esses medicamentos atuam retardando o esvaziamento gástrico e aumentando a sensação de saciedade. Como consequência, o trânsito intestinal também pode ficar mais lento. Além disso, durante o tratamento é comum haver redução da ingestão alimentar e, em alguns casos, menor ingestão de líquidos e fibras, fatores que favorecem o intestino preso. Os sintomas mais comuns dessa condição incluem diminuição da frequência evacuatória, fezes mais endurecidas, esforço para evacuar, sensação de evacuação incompleta, distensão abdominal e desconforto abdominal.1,3-5

 

Na maior parte dos casos, pequenas mudanças na rotina ajudam significativamente. O aumento gradual do consumo de fibras costuma ser uma das primeiras estratégias recomendadas. Alimentos como aveia, chia, linhaça, frutas com casca, verduras, legumes, feijões e cereais integrais ajudam a melhorar o funcionamento intestinal e contribuem para a saúde intestinal de forma geral. No entanto, com a falta de apetite provocada pelo tratamento, atingir as recomendações diárias de 25-30g de fibras pode ser desafiador. Nesses casos, a suplementação de fibras pode ser um grande aliado.2,4

 

É importante que esse aumento seja feito progressivamente. Quando a fibra é introduzida muito rapidamente, pode haver piora de gases, distensão abdominal e desconforto intestinal. Por isso, ajustes graduais costumam ser melhor tolerados.

 

A hidratação também é parte fundamental do manejo da constipação. A fibra precisa de água para exercer seu efeito adequadamente. Quando há aumento de fibras sem ingestão suficiente de líquidos, os sintomas podem piorar. Muitas pessoas em uso de aGLP-1 acabam bebendo menos água ao longo do dia sem perceber, especialmente porque a sensação de fome e ingestão alimentar diminuem.2,4

 

A atividade física também pode contribuir positivamente para o funcionamento intestinal. Caminhadas, exercícios leves e manutenção de uma rotina mais ativa ajudam a estimular o trânsito intestinal e fazem parte das recomendações gerais de suporte durante o tratamento da obesidade com GLP-1.2,6

 

Outra orientação importante é evitar adiar repetidamente a ida ao banheiro. Criar uma rotina intestinal e respeitar os sinais do organismo pode ajudar no funcionamento regular do intestino.

 

Busque uma orientação individualizada com o profissional de saúde que o acompanha e, caso ocorram sintomas como dor abdominal intensa, incapacidade de evacuar, náuseas e vômitos persistentes, sangue nas fezes ou piora importante do desconforto, é importante procurar avaliação médica.

 

A constipação durante o uso de aGLP-1 é comum e geralmente pode ser controlada com medidas simples. Ajustes graduais na alimentação, suplementação quando necessário, hidratação adequada e manutenção de hábitos saudáveis costumam trazer melhora significativa dos sintomas e maior conforto durante o tratamento.

 

Referências


1.       Ghusn W, Hurtado MD. Glucagon-like receptor-1 agonists for obesity: Weight loss outcomes, tolerability, side effects, and risks. Obes Pillars. 2024;12:100127. 

2.       Sievenpiper JL, et al. Nutritional and lifestyle supportive care recommendations for management of obesity with GLP-1-based therapies: An expert consensus statement using a modified Delphi approach. Obesity Pillars. 2026;17:100228. 

3.       Wharton S, et al. Gastrointestinal tolerability of once-weekly semaglutide 2.4 mg in adults with overweight or obesity, and the relationship between gastrointestinal adverse events and weight loss. Diabetes Obes Metab. 2022;24(1):94-105. 

4.       Ben-Porat T, et al. Nutritional Challenges of Incretin-Based Obesity Management Medications: Implications for Clinical Practice. Adv Nutr. 2025;16(11):100522. 

5.       Christensen S, et al. Dietary intake by patients taking GLP-1 and dual GIP/GLP-1 receptor agonists: A narrative review and discussion of research needs. Obes Pillars. 2024;11:100121. 

6.       Minnetti M, et al. The Integration of Lifestyle Modification Advice and Diet and Physical Exercise Interventions: Cornerstones in the Management of Obesity with Incretin Mimetics. Obes Facts. 2025:1-16.